Escapulário: o que é, qual seu significado e como usar?

Escapulário: o que é, qual seu significado e como usar?

Dia desses, vasculhando a bagunça que é a minha caixinha de acessórios, topei com um objeto que eu já não lembrava que estava ali: meu escapulário.

Com isso, você matou que não sou uma católica muito zelosa. Afinal, dizem que esse amuleto deve ficar permanentemente em torno do pescoço — o que, vamos combinar, não é coisa muito fácil de cumprir.

Depois de desemaranhar a correntinha, me peguei a admirar a peça (para você que é menos católica do que eu: o escapulário é caracterizado por duas medalhinhas, normalmente quadradas, fixadas em lados opostos do colar. Uma fica na frente; outra, atrás).

Sei que parece sacrilégio, mas é habitual da moda esvaziar o sentido das coisas. Objetos que tinham uma função bem definida se tornam, com o uso, acessórios cujo único propósito é cair bem no look. Acontece com tudo, inclusive com os escapulários, e deve haver muitos por aí cumprindo essa única segunda função.

Isso significa que tudo bem desfilar com um amuleto sacro sem maiores contemplações? Pensando bem, talvez não seja a melhor condução — especialmente se você levar um pouco mais a sério a sua formação cristã.

Que tal, então, fazermos o seguinte: vamos, juntas, descobrir o que é e qual o significado do escapulário? Assim, você e eu poderemos apreciar nosso belo objeto sem remorsos. De quebra, é provável que ganhemos um tanto mais de proteção divina, o que nunca é demais. Vem comigo?

Qual a origem do amuleto?

Como toda relíquia cristã, o escapulário tem a sua origem em um mito. No caso, um que data de 16 de julho de 1251. Na ocasião, um monge inglês chamado Simão Stock (mais tarde São Simão Stock) andava preocupado. A Ordem Carmelita, à qual pertencia, não vivia em boa relação com o papa, Honório III, que ameaçava destituí-la.

Em resposta às preces do monge, conta a tradição que Nossa Senhora veio visitá-lo na referida data e lhe presenteou com o escapulário, o qual deveria ser replicado e distribuído a todos os monges da ordem, pois, segundo a Virgem, “quem morrer vestindo-o, se salvará”.

A aparição ficou conhecida como Nossa Senhora do Carmo e, sete meses depois, Honório III reconheceu a ordem, permitindo que ela se espalhasse pela Europa (os carmelitas viviam reclusos em monte Carmelo, na atual costa de Israel).

Quanto ao escapulário, logo se popularizou em todo o mundo cristão, chegando até nós como um símbolo de “salvação, defesa nos perigos, aliança de paz e pacto sempiterno [perpétuo]”, nas palavras atribuídas a Nossa Senhora do Carmo.

O que é o escapulário?

Dizer que o escapulário é uma correntinha com duas medalhas pendendo de lados opostos, eu sei, foi uma descrição pobre. Em minha defesa, explico que serviu apenas para que você tivesse um panorama do amuleto.

Agora que estamos empenhadas, de fato, em descobrir a verdade por detrás do santo objeto (e o “santo” aí não é por acaso), vamos elaborar um pouco melhor a coisa.

Originalmente, o escapulário era feito de tecido, uma faixa longa que deveria ser colocada sobre o hábito dos carmelitas. Quando se permitiu que leigos também o usassem, ele ganhou um feitio mais parecido com o atual: dois pedaços de tecido presos por um cordão, sendo que um tecido trazia a imagem de Nossa Senhora do Carmo, e o outro, o Sagrado Coração de Jesus.

Hoje em dia, são encontrados escapulários mais estilosos (banhados a ouro, ródio ou outro metal) e mais singelos (amarrados por cordões ou entalhados em madeira).

O modelo, com duas medalhas (de vários formatos) antepostas, se consolidou. A diferença é que variadas imagens podem ser encontradas. Há, inclusive, alguns que exibem símbolos místicos.

O que a palavra significa?

Até aqui, falamos muito de escapulário, mas o sentido da palavra em si talvez continue um mistério.

Bem, ao que parece, ela deriva do latim scapula, que alguns dizem significar “armadura” ou “proteção”. Seria uma associação condizente com a tradição, segundo a qual o objeto foi dado para proteger os fiéis do “fogo da perdição”.

Entretanto, os dicionários de latim traduzem a palavra como “ombro” ou “escápula” — esta última significando aquele par de ossos chatos e triangulares que temos às costas e são ligados à clavícula como suporte da porção superior do tronco. Fazem parte dos ombros, portanto.

Seguindo a pista mais literal, podemos dizer que escapulário se refere ao local sobre o qual o amuleto é usado (os ombros).

Claro que, no que se refere a um símbolo, interessa mais o sentido figurado. Nesse caso, vale destacar que, além de proteção, o escapulário tem o sentido de devoção mariana, consagração aos ensinamentos de Cristo, caridade e humildade.

Como usar o escapulário?

Aqui chegamos à parte que realmente importa: como usar esse objeto religioso. Existe regra? “Não e sim” é a resposta (nada objetiva, convenhamos).

É que o costume determina que o amuleto chegue às nossas mãos como presente. Ou seja, alguém precisa dá-lo a você. O problema é que talvez você tenha que esperar sentada até que alguma alma bondosa tome a iniciativa.

Sendo assim, não é pecado burlar a tradição e “presentear-se a si mesma”, para usar pleonasmos em série. Mas, uma vez tenha adquirido, há um rito que talvez valha a pena seguir: antes de usar, recomenda-se entregá-lo a um sacerdote para que seja benzido. O ideal é que esse procedimento ocorra no dia 16 de julho (dia de Nossa Senhora do Carmo).

Mesmo que você não queira recorrer a esse ritual ou esperar o dia propício para aderir ao escapulário, temos que reconhecer: não dá para usá-lo apenas como acessório de moda. Fazer isso seria perder a oportunidade de refletir sobre questões importantes relacionadas à nossa espiritualidade.

Então, o mais adequado é dedicar alguns momentos do dia para meditar sobre o propósito do amuleto e tentar usá-lo como um norte para nossas ações no dia a dia, no sentido de que o escapulário significa um compromisso e uma manifestação de fé, e não apenas um enfeite bonito.

Espero que você, assim como eu, estabeleça uma relação mais verdadeira com seus símbolos de fé, sem que se sinta intimidada ou constrangida por usá-los até aqui de modo “errado”.

Por fim, quero te convidar para conhecer a seção de semijoias religiosas da Linda Bela. Se você busca um amuleto para chamar de seu, esse é o lugar.

 


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